O tema Digital continua em alta no mundo dos seguros e a tendencia é que a importância só aumente dado que já está mais que pacificado o entendimento que o mercado mudou. Praticamente todas as seguradoras, resseguradoras e corretoras possuem iniciativas digitais em andamento.
A cada dia os atuantes do mercado buscam no digital, soluções para os mais diversos problemas, desde a captação de clientes, seleção dos riscos, atendimento e até na regulação de sinistros.
Abaixo cito 2 das que considero principais tecnologias aplicáveis ao mercado seguros nos próximos anos:
- Inteligência Artificial: O Relatório Futuro do trabalho 2018 do Fórum Econômico Mundial revela que até 2025, robôs substituirão os humanos em muitas tarefas operacionais. Por outro lado, milhões de novos empregos necessitarão de uma requalificação e aprimoramento para atender as novas exigências do mercado. Como o mercado de seguros é bastante burocrático e tradicional, os impactos serão profundos. Trabalhos repetitivos, como os de digitação perderão espaço, enquanto atividades ligadas a ciência de dados ou machine learning ganharão protagonismo. As vendas poderão ser realizadas por robôs, que utilizarão complexos algoritmos de análise de perfil de risco e consumo para ofertar seguros de forma precisa as necessidades dos consumidores. Como comparação, a Amazon é famosa pelo seus algoritmos que procuram sempre oferecer produtos e serviços baseados nas preferencias do usuário. Não só nas vendas, mas a própria relação das seguradoras com as corretoras, poderá ser feita entre robôs exclusivamente, o que geraria economia de tempo e dinheiro, trazendo uma eficiência sem precedentes.
- I.O.T: Artigo da Mackinsey sobre as oportunidades da Internet das coisas no mercado de seguros informa que haverá mais de 50 bilhões equipamentos conectados em 2050. Ainda segundo o artigo, haverá oportunidades tanto para novas fontes de faturamento, quanto redução de custos. Através dos dispositivos conectados será possível oferecer uma nova experiência de compra, taxando o seguro de forma mais precisa e coletando dados em tempo real que poderá ajudar na prevenção e regulação de sinistros. A aplicação desta tecnologia será principalmente nos carros, nas casas (chamadas de smart homes), saúde e comercio/ indústria. Eu particularmente acrescentaria a área de logística como um mercado promissor, que de certa forma já adota dispositivos conectados durante o transporte de mercadorias. A viabilização dos equipamentos é um desafio, uma vez que as seguradoras/ corretoras podem desenvolver equipamentos próprios, o que demanda planejamento dos custos, da logística de entrega e substituição. Por outro lado, há a possibilidade de embarcar o seguro em devices de terceiros, que elimina as necessidades citadas acima, mas não há parceiros para todos os players, os custos de aquisição também podem ser elevados e não há como garantir que uma parceria vai durar para sempre.
Existem muitos outros desafios para digilitalização do mercado de seguros a serem transpostos, como questões regulatórias, riscos de cyber e privacidade no uso de dados, mas este é um fenômeno irreversível devido ao alto fluxo de investimentos que estão sendo alocados para esta transformação.
Finalmente, entendo que é importante para todos os atuantes desta indústria que procure o conhecimento necessário para se manter atualizado e capacitado para atender as novas exigências que o mercado demandará em um período mais curto que o imaginado.