Principal fenômeno da transformação do mercado segurador, as Insurtechs podem ser definidas de forma bem simplificada como empresas de tecnologias voltadas para o mercado de seguros.
Estas start ups prometem uma revolução no mercado através da disrupção dos modelos tradicionais de atuação, que são fundamentados na burocracia e processos ineficientes. Conversando com corretores de seguros, não é raro escutar reclamações sobre a demora do segurado em receber sua apólice ou, por mais que incrível que pareça, muito comum segurados protestando que não recebem boletos para realizar os pagamentos.
Dentro deste contexto, há campo fértil para a inovação nas mais variadas áreas, desde a contratação, passando pela subscrição, o atendimento ao cliente e todo o processo de sinistro.
Abaixo elenco algumas características das Insurtechs que me chamam a atenção:
| Focada na experiência do Cliente | As insurtechs utilizam o conceito de “customer centricity”, onde todas as decisões são tomadas visando a melhor experiência do cliente (no caso o segurado) e não no “bottom line” como o mercado tradicional. |
| Agilidade na entrega | Sai de cena os grandes e longos projetos multiilionários das áreas de T.I e entram em cena processos ágeis, baseados em dados, que geram hipóteses, que são testadas em provas de conceitos simples, rápidas e baratas e que se validadas, entram em escala em um processo contínuo de entregas. |
| Alvo nos “Millenials” | O público alvo geralmente são as novas gerações, mais receptivas aos serviços digitais. Interessante notar a preocupação com uma linguagem mais coloquial e sem o tecnicismo usual. |
| Prioridade maior em se estabelecer do que resultado | Como ainda precisam se provar como modelo de negócio, as insurtechs ainda dependem muito mais dos investimentos que de resultados operacionais. |
| Menor comprometimento com questões regulatórias | Criação ou inovação sempre precedem as leis, que são criadas muitas vezes criadas para regular novas interações sociais. |
Dentro de uma indústria extremamente rica, os números impressionam!
Somente em 2018, os investimentos em Insurtechs alcançaram o volume em torno de USD $5bilhões e alguns exemplos de investimentos mostram o potencial de atração, conforme exemplos abaixo:
| Empresa | Atuação | Valor (USD $) |
| Cambridge Mobile telematics | Telemática | 500 milhões |
| Oscar | Saúde | 375 milhões |
| Devoted Health | Saúde | 300 milhões |
| Policybazaar | Distribuição | 238 milhões |
A origem dos investimentos podem ser de fundos de Venture Capital como Redpoint, Sequoia e First Round ou de aceleradoras como a Plug’n Play. No entanto, chama a atenção as seguradoras tradicionais também investindo em Insurtechs, nomes como Axa, Allianz, Hannover, Chubb, Zurich e Liberty também financiam insurtechs. Ou seja, ninguém mais quer ser a próxima Kodak…
Os Estados Unidos ainda é o maior polo de Insurtechs do mundo, mas Inglaterra, Alemanha, China, Índia e Israel também vem buscando crescer neste novo ecossistema. Infelizmente, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente para se equiparar a estes países. Mas isto deve ser encarado como um fator de motivação pois há muitas oportunidades ainda inexploradas.
Compartilho também algumas Insurtechs que vale a pena estudar o modelo de negócio. São elas:
| Empresa | Atuação | Site | Pontos fortes |
| Lemonade | residencial | https://www.lemonade.com/ | Reclamam ter pago uma indenização em segundos. |
| Metromile | auto | https://www.metromile.com/ | Paga por uso do carro. Equipamento instalado monitora o uso do veículo |
| Trov | equipamentos pessoais | https://www.trov.com/ | Pode ligar e desligar o seguro a qualquer momento |
| Coverhound | agregador | https://coverhound.com/ | Melhores opções em poucos segundos |
| Hippo | residencial | https://myhippo.com/ | contratação em poucos minutos e oferta de sensor que monitora e previne riscos |
| Root | auto | https://www.joinroot.com/ | Monitora o perfil de dirigibilidade do segurado e promete até 50% de desconto |
| Next Insurance | Pequenas empresas | https://www.next-insurance.com/ | Emissão da apólice em poucos minutos. |
Portanto, entendo que de forma cada vez mais recorrente iremos ver novidades no mercado de seguros como as apólices por demanda, onde o segurado usa por um momento determinado ao invés de celebrar contratos anuais com as seguradoras, resolvendo problemas como por exemplo o famoso “se meu carro está na garagem, porque eu tenho que pagar pelo seguro?”
O uso da Inteligência Artificial para resolver problemas relacionados a análise dos riscos, apoio às vendas, atendimento de corretores e segurados. O uso de equipamentos conectados (IOT) também trarão mudanças profundas na forma como o seguro é gerido hoje em dia. Outro ponto bastante importante são os meios de pagamentos, fonte de elevada ineficiência no mercado atual, pode ter uma solução através de parcerias com fintechs. Enfim, em um período menor que pensamos, teremos uma indústria seguradora muito diferente do que temos hoje e é importante se manter atualizado, não só pessoalmente, mas no seu negócio também, para evitar se tornar obsoleto.
Por fim, apesar dos ventos favoráveis a este novo ecossistema, há muitos desafios a serem ultrapassados, com destaque para:
- O aculturamento de um mercado que trabalha da mesma forma há séculos e envolve valores elevados, então a resistência à mudança tende a ser maior;
- A criação das famosas “bolhas”, ou seja, a maioria das Insurtechs vão desaparecer, seja por encerramento das atividades ou por aquisições. No entanto, o legado ficará, Assim aconteceu em várias indústrias ao longo da história;
- Questões regulatórias. Adaptar os modelos inovadores a novas regras pode ser caro ou mesmo inviabilizar oportunidades. Um exemplo é questão da privacidade dos usos de dados das pessoas, que para o mercado segurador é extremamente sensível, seja na aceitação dos riscos, como no pagamento dos sinistros e identificação das fraudes.
Caso eu tenha esquecido de algo, não hesite em deixar o seu comentário e assim enriquecer este debate!