Ventos de Mudanças no Mercado de Seguros

O ano se inicia com esperança para a retomada da vida normal, mas o mercado de seguros no Brasil continua sua transformação sem precedentes em toda a cadeia. Inclusive a pandemia acelerou processos e quebrou paradigmas de mercado. 

Neste artigo, destaco alguns potenciais viradores de jogo que vale a pena ficar de olho:

Iniciativas de Inovação e Disrupção

Centenas de startups e insurtechs com a promessa de resolver as mais variadas dores dos segurados continuarão a surgir em um volume crescente, tanto no modelo B2C, quanto no B2B e B2B2C. Seja através de experiências 100% digitais, uso de tecnologias disruptivas, novos produtos e serviços e outras inovações.     

Os investimentos voltados para iniciativas digitais continuarão abundantes e o Brasil possui condições propícias para investidores de risco, destaque para o baixo custo da moeda, a escala da economia e a baixa penetração do seguro. 

Ainda não há o que se falar em bolha, mas um amadurecimento e maior seletividade de investidores podem dificultar a captação, pois muitas iniciativas não vingarão. Por outro lado, podemos ter pelo menos uma Insurtech despontando com potencial de se tornar unicórnio. Não há como afirmar que isso irá acontecer no curto prazo, mas pode ser que pelo menos 1 nome já possa surgir como um potencial candidato a tal daqui a alguns anos.

Outro fenômeno que seria interessante acontecer é a aquisições de Insurtechs ou mesmo fusões entre as próprias insurtechs. Será que alguma seguradora ou resseguradora não adquire uma insurtech para absorver a tecnologia e os talentos ou pelo menos duas insurtechs se juntem para se tornarem mais fortes? 

Tema Ambiental no Mercado Segurador

O Seguro é altamente impactado pelas mudanças climáticas. Enchentes, secas, tornados, ciclones extra tropicais, queimadas ou mesmo vazamentos, explosões, contaminações, colapsos, deslizamentos entre outros eventos poluidores acabam afetando as carteiras das seguradoras. Neste sentido, a indústria do seguro tem papel importante na transferência de conhecimento, prevenção de riscos e ajudar a sociedade no uso dos recursos naturais de forma equilibrada.

Já há agentes do mercado que estão se planejando para deixar de segurar riscos decorrentes de energia fóssil, por exemplo. 

Entendo também, que as seguradoras deverão levar em conta na análise e aceitação dos riscos, independente do tipo do seguro, se a atividade do segurado é poluidora, a governança ambiental e fatores relacionados ao meio ambiente pois aceitar riscos de empresas poluidoras ou prejudiciais ao meio ambiente, pode trazer problemas sérios de imagem.

Seguros Inovadores

As novas regras simplificadoras dos seguros que a SUSEP pretende colocar em vigor tem um alto potencial de transformar o seguro como ele é ofertado hoje. Para contextualizar, até não muito tempo atrás praticamente todos os seguros eram iguais, com as mesmas coberturas, exclusões, custos, enfim, era tudo padronizado.

Com a abertura do mercado ressegurador, as seguradoras tiveram um pouco mais de flexibilidade, mas ainda assim, muitas cláusulas eram obrigatórias, que acabavam mais por confundir do que ajudar o segurado. Por exemplo, a tabela de “prazo curto”, que até o pessoal do mercado se confunde um pouco. 

Com a simplificação, será possível criar seguros, com textos muito mais claros, sem tantos jargões técnicos (“segurês”) e as misturas de coberturas serão muito mais fácil de viabilizar. Inclusive, o segurado nem precisará saber que ramo de seguro ele está comprando, mas ele saberá que estará protegido. Porém, poderá ficar mais difícil a comparação entre os seguros oferecidos no mercado. Os vendedores, principalmente os corretores de seguros e agregadores, precisarão se aprofundar ainda mais em cada seguro disponibilizado no mercado para poder fazer o seu trabalho consultivo e comercial.

Auto serviço

Com a pandemia, o que já era um forte desejo do mercado de eliminar trabalhos repetitivos e operacionais, ficou mais prioritário que nunca. Claramente viu-se possível, por exemplo, acionar um serviço de guincho sem a necessidade de ligar em uma central, apenas interagindo com um bot. Uma vistoria de sinistro, que carecia da presença de um profissional da seguradora para ir ao local sinistrado e tirar as fotos para o aviso, foi facilmente substituído pelo próprio segurado tirando as fotos e automaticamente carregando no sistema da seguradora. 

Os benefícios do auto serviço são mútuos, pois o segurado tem uma experiência, no mínimo mais eficiente e a seguradora (e demais agentes) elimina um custo operacional importante  

Este movimento tende a se consolidar no curto prazo, envolvendo toda a cadeia, seja no relacionamento do segurado com o corretor e com a seguradora, da corretora com a seguradora e desta com seus prestadores de serviços e parceiros.

5G

É prometido o Leilão da tecnologia 5G para meados deste ano e vale a pena acompanhar este tema, que entre vários benefícios, prevê a consolidação do veículo autônomo, da cidade conectada, da indústria mais automatizada que nunca, a logística, enfim, a promessa é de o mundo não será mais o mesmo. Certamente vai demorar, mas já temos o início de potenciais transformações para o mercado de seguros. Pegando o segmento de automóvel por exemplo, que é um dos maiores do mercado. Com veículos autônomos e conectados, há uma promessa de diminuição do número de acidentes, o que em tese significa menor risco e menor custo do seguro. Porém, como fica a questão da responsabilidade em caso de alguma ocorrência? Será do dono do carro, da montadora, da empresa que desenvolveu a tecnologia? Como o mercado vai se adaptar aos novos riscos que emergirão?

É um tema complexo e vasto, mas muitas pessoas já estão pensando em como inovar no segmento de seguros com esta nova realidade.

Então é isso pessoal, a ideia era só colocar luz há algumas questões que eu acho interessante. Por fim, deixo o pensamento: vocês já analisaram como as transformações podem impactar seu trabalho?

Então é isso pessoal, a ideia era só colocar luz sobre algumas questões que eu acho interessante e por fim, deixo o pensamento: vocês já analisaram como as transformações podem impactar seu trabalho?

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