Seguros “pay per drive” – A nova tendência do mercado de seguros de automóvel?

O Seguro de automóvel movimentou R$ 35 bilhões em 2018, disparado o maior ramo do mercado e fonte de receita da maioria dos 90 mil corretores e corretoras habilitados no Brasil. Faz todo o sentido considerando o apreço que o brasileiro tem pelo carro, os altos índices de acidentes e pela violência social que vivemos no país.

Entretanto, muito se questiona sobre como é composto o preço dos seguros, taxado como caro e injusto, pois a depender do CEP ou de declarações (não raro inverídicas) de perfil, a variação é significativamente alta. Por outro lado, informações sobre frequência e prudência no uso do veículo segurado praticamente não são consideradas.

Neste contexto, entra em cena a tecnologia. Hoje já é possível facilmente monitorar os locais onde o veículo trafega, os horários, velocidade, se o celular foi utilizado durante a viagem, entre outras informações que são armazenadas e disponibilizadas, tanto para o segurado, quanto para a seguradora. Neste modelo, as seguradoras prometem descontos (entre 10% a 50%) para os segurados que tiverem bom comportamento ao volante.

Os desafios destes aplicativos vão da disciplina do segurado em utilizar adequadamente o app, pois este não distingue se o segurado está de carona ou em transporte público, por exemplo. Outro desafio é o consumo de bateria e plano de dados dos usuários e obviamente, não podemos deixar de lembrar as questões regulatórias ligadas ao uso de dados para precificar ou no pior cenário, negar uma cobertura.

Outra possibilidade mais sofisticada é o uso de equipamentos, como os OBDs (on board diagnosctics), que obtém informações do veículo como velocidade, consumo, pressão dos pneus, temperatura do motor, nível de combustível e até problemas no veículo, inclusive uma das funções dos OBDs é auxiliar mecânicos na solução de defeitos nos veículos. Agora, imaginem esta avalanche de dados que é possível coletar com estes equipamentos conectados e como estes dados podem impactar o mercado de seguros de automóvel, tanto na análise de riscos, quanto na composição de custos das seguradoras, prevenção e regulação de sinistros, entre outros. O desafio para viabilizar é o custo do equipamento (em torno de R$ 100), a instalação e tratar a “logística reversa”.

Insurtechs estão desenvolvendo modelos de negócio, via App ou com equipamentos conectados, onde o segurado paga somente enquanto estiver utilizando o seguro. O foco é em quem usa pouco o veículo, onde os descontos em comparação aos seguros tradicionais são altos.

Destaco duas iniciativas:

Metromile: Insurtech americana com sede em São Francisco, utilizam equipamento próprio para monitorar o uso do veículo e prometem descontos de até USD $ 800 para quem roda até 4.000 km ao ano.

Cuvva: Insurtech inglesa que permite a contratação do seguro por horas, dias, semanas ou até 28 dias. é possível também cobrir outros veículos na apólice. Tudo de forma rápida e fácil.

O que é mais interessante é que enquanto o mercado segurador engatinha para tentar se inovar, o mercado automobilístico galopa para e transformar, com os carros elétricos, mas principalmente os veículos autônomos, que aí sim, forçará o mercado segurador a se adaptar a nova realidade. Mas isso é discussão para outra conversa…

Portanto, respondendo a pergunta do título, entendo que este modelo ainda está restrito a descontos por boa dirigibilidade, mas pode ser bem sucedido, carecendo das seguradoras desenvolvimento de produtos com máxima transparência, deixando os corretores e outros canais de distribuição o mais confortável possível para realizar as vendas e que seja feito rápido, pois com a mobilidade se transformando a cada dia, não sabemos como será o uso de veículos no futuro.

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Um comentário em “Seguros “pay per drive” – A nova tendência do mercado de seguros de automóvel?

  1. Muito bacana. Creio que para o corretor fazer parte do processo precisa se relacionar/ conectar com o cliente bjo ambiente digital. E isto só é possível gerando uma nova experiência através do colaborativismo e gamificacao. Se no off line o corretor era a conexão, caso não Abrace a transformação digital será o interceptador.

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